Você se olha no espelho, com os pulsos cortados e olhos inchados de tanto chorar… Você sussurra a si mesma “está tudo bem, está tudo bem, está tudo bem”, mesmo sabendo que não está. Mas você é umas daquelas criaturas que acha que repetir a mesma coisa várias vezes, vai fazer acontecer. “está tudo bem” você continua a repetir, se preparando para sobreviver a mais um dia. A mais um monótono dia. Você está cansada e fraca, pois lutou demais, sobreviveu demais, suportou demais. Você quer abandonar tudo, quer ver quem realmente se importa se você partir. Você já repetiu a si mesma um milhão de vezes que é forte, que pode aguentar mais uma, mas você sabe que está fraca. Você deseja a morte, você a vê como um jogo, pensa que pode passar por cima dela. Você se sente perdida em um mar em fúria, flutuando numa tempestade, e mais uma vez o pensamento de desistir passa pela sua mente. Ninguém sabe, ninguém nunca sabe o que se passa em aí dentro. Não há ninguém em casa, momento perfeito. Você arranja uma caneta e um papel, sua mão tremula escreve as seguintes palavras: “Mãe, Pai. Me desculpem, sinto muito. Sei o quanto vocês me amam, e o quanto batalharam por mim. Mas eu preciso fazer isso, isso é sufocante e ninguém percebe. Não duvidem do meu amor por vocês, nunca, mas isso é o melhor para todos, principalmente para mim, adeus.”. Na sua mente então, passa a suas lembranças de infância, seus amigos, aquelas lembranças boas que você sempre carregou em seu bolso, em sua mente, em seu coração… Uma parte sua te aconselha a não fazer isso, mas você o ignora completamente. Você se sente uma inútil por quebrar, por cair novamente. Mesmo sabendo que as quedas são algo natural da vida, você se sente mal. As coisas então cada vez acumuladas no seu pequeno ser, você se acha fraca, mas é apenas sensível. As suas lagrimas escorreram pelo seu rosto, e pingaram no papel. Em sua garganta um nó não te deixava pronunciar uma palavra sequer. Mas você luta bravamente e consegue pronunciar: “eu amo vocês”. Você então, pega uma lâmina, e com os olhos embaçados pelas lágrimas, você tenta se cortar. E enfim consegue. Passa-se alguns minutos, e você já não está mais consciente. Agora, você jogou fora sua vida em um piscar de olhos. O silêncio então, reina a casa, você não está mais lá, apenas seu corpo, não há volta, pois a morte te abraçou e te levou desse mundo. Seu pai? sua mãe? seu irmão ou irmã? o que irão pensar? como irão se sentir? muita gente se sentirá culpada, talvez até cometerão o mesmo erro que você, por sua causa. A porta abre, sua irmãzinha chega. Seu corpo já sem vida estirado no chão, está de costas para ela, fazendo ela ir ao teu encontro rapidamente. Então ela vê o sengue escorrendo no chão, e seu pulso, cheio de cortes graves: “PAI, MÃE, AJUDA” Seu pai e sua mãe chegam de imediato, indo até seu corpo sem vida. Sua mãe chacoalha seu corpo com força: “ACORDA, POR FAVOR, ACORDA.” Seus gritos era agonizantes, penetravam na alma trazendo um desespero em gostas azedas. Todos estão em lágrimas, seu pai disca 190 mas é tarde demais você já se foi. Sua irmã não vai crescer com você, pois você jogou sua vida fora. Seu melhor amigo, dilacerado. Sua escola, todos estão se culpando pela sua morte. Pois é, todo mundo se importava, mas agora já é tarde demais. Você se foi para sempre, porque estava presa ao pensamento de que ninguém ligava para você. Mas eu te prometo, todos se importam. E não importa o que faça, amamos você.
— Gabriella L. (via f-reneticc)



Adaptado por: Ela so